A vida misteriosa de um Suiço que viveu e faleceu em Portugal…

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O que nos falta saber sobre David de Pury? Este é um grande mistério que continua a pairar em todas as mentes que se interessam por estes fatos históricos. Fica por confirmar uma grande controvérsia na sua misteriosa vida. Um caso que denigre a sua imagem de benfeitor que detém em Neuchâtel. Para alguns historiadores, uma coisa é segura: explorando a quase totalidade das minas de diamantes do Brasil, o negociante misturou a exploração sem escrúpulos de uma mão-de-obra composta maioritariamente por escravos. Estará ele implicado no negócio de mais de 100.000 escravos , como afirma a Fundação Cooperaxion? O extrato do seu testamento, conservado nos arquivos da cidade de Neuchâtel, diz-nos precisamente o contrário destas suspeitas, já que o mesmo realça o apoio aos desprotegidos. Este é um trabalho que se requer aos historiadores, o qual não se afigura como muito fácil, pois o terramoto de 1755, acontecido em Lisboa, cidade onde viveu uma grande parte da sua vida (e onde faleceu), provocou uma destruição quase total dos arquivos lisboetas, o que não permite respostas definitivas e esclarecedoras…

Mas não é por acaso que David de Pury tem uma estátua numa das praças mais centrais de Neuchâtel, onde bate o coração da cidade, a Place de Pury, local de reuniões, centro nevrálgico de transportes públicos, ela tem o nome desta ilustre personagem do século XVIII. Ele, que permaneceu solteiro, legou à cidade de Neuchâtel, que o viu nascer em 1709, uma fortuna avaliada na atualidade em 600 milhões de francos suíços, praticamente inatingível naquela época. Bravo Monsieur Pury, graças a esse dinheiro o Estado de Neuchâtel pôde construir o Hôpital du Faubourg (1783), ainda durante o seu tempo de vida, o que lhe valeu o título de barão, atribuído pelo Grande Frédéric, em 1785, legando um ano depois a totalidade dos seus bens à sua cidade de origem. A Fundação Pury é então criada, o que permitirá à cidade, entre outras coisas, construir o Hôtel de Ville, o Collège latin e o Collège de la promenade, mas também de desviar o Seyon ou de cortar as estradas do Rocher e do Plan que evitam definitivamente a ascensão do caminho do Pavés para ir às montanhas. Estes fundos, inesgotáveis durante muito tempo, acabam por ser integrados na fortuna da cidade de Neuchâtel, em 1964. Em 1855, um comité de cidadãos neuchâtelois faz erigir uma estátua ao benfeitor da sua cidade. Eles confiam a execução da mesma a David d’Angers, arquiteto da nova praça, ganha às margens do lago pelo desvio do Seyon.
Mas afinal quem era este ilustre neuchâtelois e por que teve ele tantas afinidades com Portugal?

 

David de Pury (por vezes Purry), filho de Jean-Pierre Pury (explorador e grande viajante, que fundou em 1734 a colónia-efémera de Purrysburg, na Carolina do Sul) e de Lucrèce Chaillet, deixa a Suíça com 16 anos, para fazer uma aprendizagem de comércio em Marselha. Três anos depois vai trabalhar para Londres numa empresa de transporte marítimo e finalmente instala-se em Lisboa, em 1736, onde, protestante, ele fará fortuna. Aproveitando as suas importantes relações nos meios económicos, ele entra rapidamente nas boas graças da corte de Portugal e particularmente conquista a simpatia do todo poderoso Marquês de Pombal, obtendo assim uma renda e quase todo o monopólio de importação de diamantes e de pedras preciosas do Brasil, depois aparentemente da madeira preciosa, deixando Portugal, para se estabelecer no porto de Pernambuco, no Brasil. Ele consegue uma fortuna considerável que o terramoto de 1755 o faz perder em parte. Remetendo-se rapidamente ao trabalho, reconstitui os seus ganhos de tal maneira que se torna mesmo um dos banqueiros do rei de Portugal.

Faleceu em Lisboa, em 1786 e está enterrado no cemitério inglês de São Georges, na parte oeste da capital portuguesa. O seu túmulo, difícil de encontrar e pouco cuidado, sem flores ou grandes epitáfios, ostenta apenas algumas palavras sóbrias gravadas na pedra, lembrando que ele também se tornou um cidadão inglês: «DAVID BARON DE PURRY, DIED31 MAY 1786, AGED 78», ainda adensa mais o mistério da sua vida…

 

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